ARTIGO DE D. LUIS MOUSINHO, ARCEBISPO DE RIBEIRÃO PRETO, SOBRE O PALPITANTE ASSUNTO – O MAIS PROFUNDO ESCÂNDALO DO BRASIL – EXPLICAÇÃO DE SUMA IMPORTÂNCIA – DIZERES DO PROFESSOR FREDERICO ALESSANDRINI SOBRE OS PARTIDOS POLÍTICOS. POSTULADOS A QUE DEVE ATENDER O CATÓLICO QUE MILITA NA POLÍTICA.
Todos os católicos, devem participar da vida política do país. Com o seu voto deverão levar o pensamento cristão ao Município, ao Estado e à Nação. Pela sua profissão de fé, incumbe aos católicos serem os melhores cidadãos, evidentemente como filhos adultos da Igreja, e não como seus representantes ou delegados “oficiais” na política partidária. Para tanto necessitariam receber um “mandato” especial.
Vamos mais adiante. É necessário que católicos de comprovada vocação política e de aprimorada formação Intelectual e moral ingressem, democraticamente, na política partidária. Estão a exigi-lo o Bem Comum e a urgente cristianização das estruturas. Doutra maneira, estas, assim como a organização político-jurídica do Município, do Estado e da Nação (legislativos e executivos) irão se tornando, cada vez, mais agnósticas e anti-cristãs.
O mais profundo escândalo do Brasil é este: a grande maioria do povo se confessa católica, quando dos recenseamentos oficiais, e contudo a política, os negócios públicos e as estruturas são conduzidos, quase sempre, por caminhos anti-cristãos. Isto prova que a maioria não atua como intérprete do Evangelho na vida pública. Esta maioria é de católicos políticos, e não de políticos católicos.
Cabe aqui uma explicação de suma importância. Quando falamos de democracia em termos cristãos, dizendo-a legítima, necessária, urgente, não nos referimos às várias modalidades e acondicionamentos históricos ou aos partidos políticos “democrata-cristãos” dos diversos países, inclusive o Brasil. Indigitamos a democracia cristã em geral, tal como vem descrita nos Documentos pontifícios, especialmente de Leão XIII aos nossos dias. Os gloriosos partidos democrata-cristãos das várias nações são tentativas concretas de realização dos princípios da democracia cristã, ora mais ora menos autênticas e felizes. Tentativas realizadas por grupos idealistas de católicos e no nome deles; e não organização oficial da Igreja. Por êsse motivo, a Igreja não obriga seus filhos a ingressar nesses partidos. Em tese, o que devemos asseverar é o seguinte: o católico sensato e prudente escolherá, diante de Deus e após minucioso e imparcial exame, o partido que lhe parecer, melhor, em face das exigências, do Bem Comum integral e da sua consciência de cidadão-cristão. A êsse respeito publicou, recentemente, magnífico estudo o Prof. Federico Alessandrini: “ I cattolici e ipartiti politici”, (Orientamenti Sociali, janeiro, 1959, p. 6-19). A certa altura, assim êle: “Il difficile é proprio qui, nel compiere cioè. ogni giorno, il proprio dovere, al posto che è nostro, con piena coscienza dei nostri doveri, per la giustizia, condotti dalla carità” (1.c.p.11).