Tarcísio Beal – CIC
A bula “Humanae Salutis”, de 25 de dezembro último, anunciando o Concílio Ecumênico para 1962, pode ser considerada o grande presente do Papa João XXIII ao mundo moderno.
Se todos os concílios do passado se realizaram em momentos difíceis na vida da Igreja e trouxeram as soluções necessárias, o Concílio Ecumênico do Papa João XXIII vem renovar não só as fôrças do catolicismo, mas trazer também ao mundo todo uma palavra de esperança.
O homem, dominando a matéria e atingindo o climax da técnica, vê-se diante da tremenda possibilidade de destruir-se a si mesmo. Domou a matéria, mas não domou a si mesmo. Basta que a centelha do ódio fraticida acenda agora o estopim final. Todos tremem diante da horrível perspectiva, que poderá marcar o fim da nossa terra. Todos? – Não! Há alguém que não treme porque não conhece o mêdo. Alguém, cujos pés estão firmemente plantados na terra, mas cuja fonte toca a eternidade. Êsse alguém é a Igreja Católica, a quem o próprio Deus garantiu um dia: “Estarei contigo todos os dias, até a consumação dos séculos”.
Eis por que o próximo Concílio Ecumênico interessa a todos, católicos ou não. A ameaçã das armas atômicas de destruição universal, que o materialismo ateu emprega hoje como novo meio de conquistar, a Igreja responde com as armas da fé, do amor e da confiança absoluta em Deus. O Concílio Ecumênico surge assim, como um clarim de esperança e uma bandeira de união de todos os homens de boa vontade. Aos católicos, para que reavivem e fortaleçam a sua fé; aos Irmãos separados, para que esqueçam as querelas do passado e voltem à segurança do redil de Cristo; àqueles que ainda não conhecem o Cristo, para que fiquem sabendo que só n’Êle há salvação para a humanidade.
Destarte o Concílio Ecumênico de 1962 iniciará a marcha do Grande Retôrno a Cristo, afastará o mêdo e trará paz duradoura entre os homens. Para Roma, como para o pôrto de salvação, voltam-se confiantes os olhos de todos os homens.