V
Dom Oscar de Oliveira
Cumpre-nos a nós católicos manter viva a lembrança e a consciência de nossa responsabilidade, a obrigação de nos imunizar e de nos defender a nós e a Santa Igreja contra as heresias, dentro das normas ditadas pela prudência e caridade cristãs.
Antes de tudo, devemos trabalhar pela conversão dos acatólicos, através de nosso exemplo, ou, pelo menos, detê-los, não porque não nos ouçam falar, e sim porque nos vejam fazer.
Nossa campanha deve realizar-se com suave energia e constância, mas sempre e por tôda a parte acompanhada da caridade.
Sabemos, sim, que por êste mundo de Deus há acatólicos de boa fé, bem intencionados, virtuosos. Ensina-nos a teologia: ˂ Fora da Igreja não há salvação ˃ . E os que estão de boa fe, mesmo os que em terras de pagãos praticam retamente a lei natural, todos êsses pertecem potencialmente à Igreja, e por isso se salvam.
Pertencer potencialmente à Santa Igreja significa isto: tal é a boa vontade e reta intenção dos que sem culpa e de boa fé se acham no êrro que, se, de fato, conhecessem a verdade, abraçá-la-iam de corpo e alma.
Ninguém tem direito de insultar ou molestar com palavras ou fatos o próximo por pertencer a outra religião. A Verdade não pode ser separada da caridade.
Nossa bondade e doçura, nossa delicadeza e atenção, eis o reto caminho por onde conduzir à verdade católica os que dela vivem afastados.
Devemos ter imensa compaixão pelos nossos irmãos separados, pela bancarrota doutrinal de sua teologia, a qual o acatólico médio não percebe.
Evitemos por inúltil, estéril, e até prejudicial, qualquer polêmica sôbre religião, certos de que a polêmica acirra os ânimos, queima os corações e não converte ninguém.
Se nosso irmão separado vem a nós, da boa mente, não pretendendo discutir, e mostra uma vontade sincera e ansiosa, não de aceitar sem provas qualquer proposição, mas de aderir à verdade que proflui das provas, atendamo-lo de coração, no desejo apostólico de esclarecê-lo. Podemos ainda apontar-lhe um livro de doutrinação católica, sólida e serena.