Dom Oscar de Oliveira
VI
A Justificação
A graça santificante é uma perfeição tão grande e divina que nos comunica uma misteriosa participação da natureza Deus. Segundo S. Pedro, o Pai Celestial nos deu por Cristo na graça a suprema e preciosa promessa do Céu, pela qual nos tornamos participantes da natureza divina (S. Ped. 1, 4).
Ao comunicar-nos essa natureza divina, Deus pela graça nos faz filhos seus na ordem sobrenatural, como na ordem natural um pai é pai, porque comunica a seu filho a natureza humana: «Considerai que amor nos mostrou o Pai (em querer) que sejamos chamados filhos de Deus, e que o sejamos (na realidade) (1. Ep. S. João. III, 1).
Êsse estado divino da justificação pela graça transforma nossa alma em Deus, unifica-nos com Deus. Jesus disse: «Eu sou a videira, vós sois os ramos. Aquêle que permanecer em Mim e Eu nêle, êsse produzirá grande fruto, porque sem Mim nada podeis fazer» (S. Joa. XV, 5). Assim como os sarmentos participam da mesma vida que a videira e são a própria videira, assim pela graça participamos da vida de Cristo e somos Cristo, «Eu já não vivo minha vida: Cristo é quem vive em mim (Gal. II, 20), diz S. Paulo. Esta é a realidade divina que, com S. Paulo, a Igreja chama CORPO MÍSTICO DE CRISTO, ou seja, o formado por Cristo nossa Cabeça e as almas em graça que são seus membros vivos. Esta participação e comunicação mútua da mesma vida é a que chnma a Igreja A COMUNHÃO DOS SANTOS. O Pão eucaristico que repartimos, não é acaso, a participação do Corpo do Senhor? Visto que há um só pão, nós, embora muitos, formamos um só corpo, porque participamos todos dum sé pão (1 Cor. X, 16-17). «Vós sois o Corpo de Cristo» (I Cor. XII, 27). «Cristo é a Cabeça do Corpo da Igreja» (EI. IV, 15).
«Portanto, cresçamos naquêle que é nossa Cabeça: Cristo» (Col. I, 18).
Finalmente o estade de graça é um comêço do Céu, quanto à posse do bem infinito. O Céu consistirá em contemplar a intinita perfeição de Deus e gozar dessa perfeição infinita que já possuímos nesta vida pela graça. Nesta vida não gozamos dela, porque não a vemos. «Caríssimos, diz S. João, agora somos filhos de Deus; mas não se manifestou ainda o que seremos (um dia). Sabemos que, quando Êle se manifestar seremos semelhantes a Êle na glória) porque O veremos como Êle é» (I. Joa. 11′,2).
Quando se medita nestas grandezas divinas da doutrina e vida cristãs, que é o Reino de Deus dentro de nós (S. Luc. XVIII, 21), revelado por Jesus aos homens, compreende-se o modo como as heresias maltrataram e espezinharam as verdades mais preciosas e sublimes da revelação. (Continua)