Epifania e apostolado dos leigos

Após o Natal, surge no calendário litúrgico a grande festa da epifania, que foi realmeate a primeira grande comemoração do nascimento do Salvador.

Relembrando a manifestação do Deus feito homem às gentes, dirige-se a Igreja a cada um de seus fiéis para recordar-lhes a pesada imaumbência que lhes toca, — testemunhas de Verdade que devem ser — a revelação de Cristo aos homens. E isto é o que importa acentuar nêsse dia. Não se trata tanto de indagar da pátria dos Magos, se vieram da Pérsia, como afirmava Clemente de Alexandria, se da Caldéia como preferia Orígenes, ou da Arábia, na opinião de Tertuliano e outros. Nem de escogitar-lhes os nomes, — se eram realmente Bithsarea, Melchior e Gastaspa, como já se dizia no século VIII.°, — e o número. Reis ou astrólogos, e que fôsse exatamente a estrela que os conduziu até junto do Menino, deixemos aos eruditos a discussão. Algo é indubitável: é que, tendo nascido Jesus em Belém da Judéia, nos dias do rei Herodes, chegaram do Oriente uns magos A procura do rei dos Judeus, do Messias prometido. Que O encentraram em Belém, adoraram-No e, iludindo a solêrcas de Herodes, lá se foram para suas terras anunciar que o Salvador estava no mundo…

Quase 20 séculos depois deste acontecimento, reconheçamos humilhados e entristecidos, há muito quem ignore essa divina presença, e são milhões. A razão dêste fato desolador e não termos tido sempre, os cristãos, consciência nítida de nossa responsabilidade, de nossa obrigação, não somente de conhecê-LO, mas de torná-LO conhecido e aceito dos homens.

De ter faltado a tantos a boa vontade, a decisão, a generosidade dêsses Magos se lar garam fôsse donde fôsse’ enfrentando o respeito humano, as distâncias, as incertezas, as fadigas e incomodidades de toda sorte — para se certificarem de que a estrêla nâo era uma ilusão. Bom tema para uma meditação na Epifania, principalmente para o laicato católico.

Há um mundo a salvar, uma civilização a perseverar, uma seciedade a recristianizar, homens a reconduzir a Deus.

Essa ˂˂ consecratio mundi ˃˃ consagração do mundo — de que falava energicamente Pio XII aos participantes do Congresso do Apostolado dos Leigos —  é essencialmente tarefa dos leigos. Dos cidadãos imersos na vida econômica e social, encarregados das funções governamentais e legislativas, com possibilidade. e dever, de influírem por tôdas as maneiras no sentido de imbuir, de espírito cristão as legislações, os usos e costumes dos povos. Por isso mesmo, vem a Igreja reclamando, nos últimos tempos, a colaboração do laicato. E já naquela ocasião insistia o Papa sôbre a situação desta parte do mundo, hoje tão ameaçada, a América Latina.

Revelava sua preocupação para o crescimento assombroso da população, para o desenvolvimento industrial — e para os problemas consequentes, — enquanto uma penúria terrível de sacerdotes dificulta a ação da Igreja: seriam necessários, naquela ocasião, 160 mil padres, e não passavam de 30 mil. Não melhorou a situação, podendo, pois, a invasão da heresia, penetração do marxismo nas universidades e nos meios trabalhistas, a disseminação de espiritismo, e, talvez pior que tudo mais, a laicização de tôda a vivência, agravar-se sempre.

Não visava o Pontífice, no entanto, apesas a denunciar perigos e despertar temores. Não existe a Igreja militante, que somos todos nós, para descobrir ameaças e para recensear inimigos —  mas para combater o êrro e para vencer o mal. A única conclusão válida é que aumente cada vêz mais a responsabilidade dos cristãos, e que se torna cada dia mais urgente sua mobilização total. O que supõe a união estreita, ressoluta, sobrenaturalmente abnegada de todos, clérigos e leigos —  que o combate e estrênuo. Bem devemos também refletir sôbre a mensagem de Natal do Santo Padre Paulo VI, o qual indaga em certo ponto: ˂˂ … porque não estão em paz os humens entre si? Porque não estão unidos seus espíritos ? ˃˃ Porque ˂˂ falta unidade nos princípios, nas idéias, nas concepções de vida e do mundo e, enquanto divididos ignoram-se, odeiam-se, combatem-se ˃˃.

Não pode suceder isto conosco, que devemos, como os Magos, caminhar, juntos achar e tornar conhecido dos homens o Divino Salvador.

(O São Paulo)

E agora que vou regressar à vida perigosa, difícil, a vida quotidiana dos homens, chamo-Vos sôbre mim, Luz da Luz, Verbo incriado por quem tudo é feito, tudo foi e tudo será.

Sem Vós, sem a vossa Força em mim não posso viver, como o meu corpo não vive sem o vosso sol; o meu espírito não é senão o reflexo desbotado da vossa Glória e o meu sangue bate ao ritmo da vossa Criação.

Invoco em Vós a Majestade que é Justiça, reconheço em Vós a última Verdade, de Vós só, aguardo a Esperança que é Graça, adoro em Vós o amor inesgotável.

Fazei, Verbo de Deus, que esta semelhança inconcebível que quereis que exista entre a minha alma e Vós, se revele nos meus atos, se execute no meu coração, que nas minhas peores trevas saiba ver-Vos.

E visto que tudo isto é mistério tão profundo que o meu espírito destafece e fica interdito, Vós que possuis únicamente a explicação suprema repeti à minha fé o seu porquê o seu como.

Vós, que tomastes carne no seio de uma Virgem, Vós, que conhecestes a minha angústia e a minha morte’ fazei, Verbo eterno, que me dirija a Vós. confiante, como a um ser que eu recooheceria.

Redizei-me que a Força se fez Misericórdia, que entre o Abismo e eu, a vossa Cruz se levantou; que o Sangue não é vão, que a Salvação existe;

Meu Deus, relembrai-me que Vós me amastes !

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