Normas gerais para Construção de Igrejas

Dom Oscar de Oliveira

II

“A Igreja não tem estilo arquitetônico, repitamos a lembrança de Mons. Nabuco. Quer dizer não tem um estilo exclusivo, único. A ideia geral de que o estilo gótico era o estilo cristão por excelência é já superada. Nossas cidades populosas estão a pedir igrejas espaçosas, podendo-o ser de vários estilos.

Na China, por exemplo, há belas igrejas que são adaptações cristãs do estilo chinês. Noutras partes existem também excelentes exemplos de adaptação do gótico, do bizantino às necessidades modernas. Erro grave seria perder a noção funcional da igreja. É igualmente errôneo, o desejo de imitar o gótico como o colonial. Observa Mons. Nabuco: “O que se tem feito não é, nem pode ser, nem o gótico nem o colonial. Imitar em arquitetura, é quase sinônimo de fingir. Nossa sociedade procurará combater tudo o qe não é a expressão da sinceridade e da verdade. É, portanto, necessário evitar que o estilo seja falso ou mentiroso. Uma igreja gótica em cimento armado é necessariamente falsa. O arquiteto que a pretendesse, iria colocar por toda a parte suportes falsos (porque desnecessários) para as suas abóbadas que não suportam nada.

A construção com cimento é inteiramente diversa da construção em cantaria, exigida pelo gótico.

“Nossas paróquias superpopulosas, diz Mons. Nabuco, exigem igrejas com uma construção de máxima de espaço útil para os fiéis, dentro duma metragem por vezes reduzidas e dum modesto orçamento. O melhor estilo será o que permitir maior acomodação para os fiéis. E por esse lado, o estilo bizantino e duas comodidades modernas será classificado em primeiro lugar. O gótico irá para o ultimo, pela razão muito simples de que grossas colunas, ocupando grande [espaço tam]pam a vista do altar, como reduzem parte do espaço anterior, não só ta de um a dois terços o espaço a ser aproveitado pelos fiéis. (Cf. REB março 1942, pp. 14-22).

Estamos na idade do concreto armado que revolucionou os princípios que regiam as antigas construções. A pedra sintética permite construir sem suportes arcos nunca dantes imaginados.

Um templo católico é a Habitação de Deus, a Casa de Oração. Nele faltaria a expressão da Sacralidade e do Divino se se ousasse dar-lhe feição de uma garage, um galpão, um angar, um botequim com vitrines.

O S. Padre Pio XII, na Encíclica de Natal de 1955, falando de arte Sacra em geral, proíbe formalmente aceitar o concurso de artistas “sem fé, ou arredios de Deus com a sua alma e com a sua conduta… e suas obras nunca serão dignas de ser admitida no templo da Igreja…”

“São Pio X queria os fiéis a rezar em ambiente de beleza, sob imponências arquiteturais, aos fulgores de toda a perfeição artística, para o Pai Celeste ser glorificado com seus dons esplendidos…

O essencial é que a igreja persuada ser ela Casa de Oração; por isso, a arte religiosa moderna não poderá um estilo. Mas algum estilo deve ser impor um modelo único, uma escola, seguido.

“Mas na arte sacra há exigências especiais, e nem tudo o que é admissível fora pode ser admitido na igreja. Sintetizou-o com felicíssima fórmula Pio XII: para o disforme e para o ridículo não há lugar na igreja. A igreja cristã é a Casa do Pai, e não o antro de Mitra ou a selva de Odino; e a Casa do Pai é cara e acolhedora: tudo aquilo que desgosta e que repele os filhos, ainda os mais simples não é para a casa de Deus… (Giuseppe Astom – Architettura Sacra Generale).

De pedra natural, do granito, do mármore, da argamassa, do cimento, do estuque, do gesso, muito se saberá criar, havendo técnica artífices hábeis e talento.

O estudo prévio da composição e plantas da igreja é de máxima importância, dependendo delas a trivialidade chocha ou a afirmação de uma beleza espiritual.

“Os pórticos, os nártex, os presbitérios, em volta do altar-mor, as torres campanários, a sua posição, a torre lanterna e a cúpula, o batistério, a verdade nua dos aparelhos outras dependências e arredores da igreja são outros tantos problemas para sw resolverem maduramente, para os projetos terem aplauso decidido e a história da arte os poder citar.

Pinturas murais, frescos, baixos relevos, imagens, iconografia e simbolismo, especialmente da pintura moderna com as suas escolas ou tendências bem definidas são pontos para reflexão séria e instrução segura dos interessados nas respectivas artes

Normas gerais para construções de igrejas

Dom Oscar de Oliveira

III

 A “Comissão Litúrgica da Alemanha apresentou diretivas para construção de igrejas segundo o espírito da liturgia romana, as quais, aprovadas pela Conferência Episcopal de Fulda, tem caráter oficial para aquele culto país.

Tais exigências doutrinais e litúrgicas são evidentemente idênticas tanto na Alemanha quanto entre nóa, razão por que resolvemos ressaltar aqui alguns de seus principais ensinos:

  • Uma igreja cristã não serve apenas de local de reunião, litúrgica ou extra-liturgica, da comunidade; mas também de lugar de devoção individual dos fiéis.
  • O templo cristão é o local onde se forma e se desenvolve a Igreja, Corpo Místico de Cristo, em ouvindo a Palavra de Deus, em recebendo os Sacramentos e participando do Sacrifício Eucarístico.
  • Da multiplicidade de fins da igreja, resulta que a sua construção é dificultada por um conjunto de problemas específico.

A celebração do Sacrifício da Missa põe exigências diferentes das requeridas para a administração dos Sacramentos, outras diferentes das da Pregação; a Pregação, outras diferentes das do Culto Eucarístico, outas diferentes das de uma devoção popular; a Devoção popular, outras diferentes das de uma devoção privada.

È a missão do construtor da igreja encontrar uma solução que satisfaça aos diferente fins e aplicações da Casa de Deus, de uma maneira, quando possível, perfeita.

  • A igreja é destinada ao Povo de Deus dos nossos dias.

Deve, portanto, ser disposta de modo que os homens da atualidade se sintam atraídos por ela. As mais nobres necessidades do homem do nosso tempo devem encontrar nela a sua satisfação: o desejo imperioso de vida comunitária; a ânsia da verdade e autenticidade; o desejo de passar do superficial ao que é central e essencial; a ambição de clareza, luminosidade e visibilidade; o veemente anelo de silêncio e paz de calor e segurança.

Consequências

  • Seria errado adaptar de tal maneira a construção exterior da Casa de Deus – nas suas proporções e linhas, na sua estrutura e decoração – às construções profanas do tempo e do ambiente que desse a impressão de um edifício profano.

Mas será igualmente um erro recorrer a uma gritante linguagem de formas a fim de atrair a atenção dos transeuntes para a igreja que se encontra no caminho.

  • Seria pouco aconselhável que na disposição das entradas da igreja se considerassem apenas os problemas do tapa-vento e regulamentação de articulação. Uma vez maus se devia procurar que logo pela imponnte configuração das portas da igreja – sobretudo do pórtico principal – a atenção dos fiéis fosse atraído para o paralelismo Porta-da-Igreja – Porta-do-Céu.
  • O Altar é a Mesa do Sacrifício e do Banquete do Povo de Deus e ao mesmo tempo o lugar da manifestação eucarística de Deus entre nós. Mesmo sem o Tabernaculo, o altar o Trono de Cristo, razão por que os antigos viram nele também símbolo do próprio Cristo.

Por tudo isto se verifica quanto errado fazer do Altar uma consola da parede; ou realizá-lo como se a sua função única ou predominante consistisse em ser pedestal para o Tabernáculo ou a Cruz, para castiçais ou relicários para quadro ou grupos e figuras.

Numa igreja-modelo, o Altar – pela sua posição isolada e medianamente elevada, pela possibilidade de circular em seu redor, pelo seu traçado harmonioso e pela nobreza do material escolhido, pela sua momentalidade de acordo com as proporções da Casa de Deus, pelo hábil encaminhamento das linhas de perspectivas de espaço, pela colocação no ponto mais iluminado, e talvez também por um baldaquino – revela-se claramento como verdadeiro Santuário, como o coração de todo o edifício.

Uma igreja-modelo será, tanto no interior como no exterior, concebida e executada em função do altar.

Continua pag. 3

Pag. 3

  • O ideal é que, enquanto possível, seja a igreja voltada para o Oriente. Deus e seu Filho Unigênito se concebem à maneira de Sol, com seu trono no Oriente e a avançar do Oriente.
  • Seria um erro guarnecer de janelas a parece de fundo do Santuário de modo tal qu por isso se tornasse difícil olhar par o Altar.

Seria de igual forma um erro decorar esta parede de fundo com símbolos que não estejam em conexão direta com a celebração do Sacrifício Eucaristico ou não se harmonizem com o conjunto do Ano Litúrgico.

No caso ideal, a arquitetura e a decoração do presbitério terão sido escolhidos de forma a encaminhar os olhares não para si, mas para o Altar e para a ação sagrada e que nele decorre.

  • O púlpito deve ser colocado não quase no meio da igreja, e sim, elevado junto da balaustrada do presbitério, de modo que todos os fiéis possam ver o pregoeiro da Palavra de Deus.
  • Uma igreja-modelo, ordenada segundo pontos de vista estritamente litúrgicos, terá destinado para coro um lugar no espaço da assembléia, muito próximo do presbitério.
  • No santo Batismo renascemos como filhos de Deus e ao mesmo tempo, somos incorporado na Igreja, Corpo Místico de Cristo. É de lastimar que esta fundamental significação do Sacramento do Batismo quase não se manifeste na atual vida paroquial e que, por conseguinte, também a Pia Batismal pertença à categoria das peças de mobiliário da casa de Deus a que se não presta atenção.

A “Fonte Batismal” deve ser em estilo monumental.

  • Seria um erro mobiliar e ornamentar o espaço sagrado de molde a nele respirar o conforto de uma casa burguesa. Mas seria também errado tornar o arranjo e a decoração da Casa de Deus propositadamente semelhantes à indigência de um lar proletário.
  • Seria um erro abandonar a decoração pictural e plástica da Casa de Deus ao arbítrio do respectivo Pároco ou doador, ou ao acaso.

Quando se ambiciona construir uma igreja modelar, deverá elaborar-se não apenas a planta mas também um plano de decoração artística, bem estudado sob o aspecto teológico e pedagógico.

  • Seria um erro querer dotar uma igreja paroquial de dimensões modestas, sem atender os dias de aglomeração geral dos fiéis, em certas festas sem cogitar no progressivo aumento da População (cf. REB, junho de 1955, pp. 370-376).

Acrescentemos aqui uma observação de D. Roulin, em sua Nos Eglises, recomendando que devem evitar-se no pavimento das igrejas as ornamentações de cruzes, monogramas de Cristo. (Apud REB, junho de 1942, 1, c. p. 535).

Continua

Dom Oscar de Oliveira

Acesso Rápido