Dom Oscar de Oliveira
I
Julgamos oportuno trazer aqui algumas orientações atinentes a construções de igrejas, de acordo com as circunstâncias locais, a técnica moderna e os prescritos litúrgicos, colhidas de competentes autoridades.
O direito canônico, especialmente exige que se observem as leis litúrgicas nas edificações das casas de Deus (cânon 1164 § 1).
Estilo: << A escolha do estilo é questão de grande importância, sublinha Mons. Joaquim Nabuco. Mas, apesar da existência de estilos clássicos ou modernos, devem ser adaptados ao lugar onde a igreja vai ser construída e ao material que vai ser empregado, por quanto dele dependem os cálculos e as proporções>>
Arte Moderna. Ainda há pouco, Mons. Nabuco, reconhecida autoridade em arte sacra e insigne liturgista, declarou em mesa redonda perante arquitetos: <<Se fosse falar sobre as igrejas, alguns anos atrás, seria imediatamente bombardeado com a pergunta: o que a igreja acha da arte moderna? Direi, apenas, que a Igreja é uma entidade viva e, portanto, tem de acompanhar, como necessariamente acompanha, a evolução, pous é tradição sua não só acompanhar, mas por-se à frente de toda e qualquer iniciativa de arte. Assim foi sempre e nos séculos XIV e XV.
Em toda a parte a Igreja tomou a frente, mas, desgraçadamente, a arte na Igreja caiu demais. É muito importante para nós, na construção de Igrejas, a opinião publica =. A pergunta, qual a arte e estilo da igreja, respondo:
A Igreja não tem estilo. Ela aproveita o material e coisas que o tempo e o século lhe dão. Hoje temos de um concreto armado que permite arcos e espaços os quais, antigamente, nem sequer podiam ser imaginados. Tudo sso é providencial para que ao mesmo tempo que a população aumenta, em toda a parte, ferozmente aumentam também os meios de construir grandes edifícios. O nosso mal no Brasil, é que todas as nossas igrejas são microscópicas.>>
Conhecemos, entretanto, algumas igrejas proporcionais à população. Mas, se tem em mira, por exemplo, construir uma igreja mas atento o desenvolvimento do lugar, convém fazê-la ampla em vista do futuro, não apressando tanto no imediato acabamento da obra.
É ainda mons. Nabuco que adverte: <<A arte moderna exige muito mais do arquiteto que exigiam as artes clássicas antigas. È muito difícil criar, e o grande arquiteto é aquele que sabe criar. Em relação às exigências da igreja no que se refere à arquitetura, posso dizer que não deve ser somente funcional, como também o hospital deve sê-lo. É necessário que a igreja tenha uma nota de religiosidade com que possa se distinguir de outro centro qualquer profano. Que a Igreja seja um livro aberto, que ajude a pessoa a ir a Deus. Que a arquitetura moderna tenha por fim substituir muita coisa de falso, que seja como deve ser, simples e leal.
Continua
O ARQUIDIOCESANO. Ano I, 22 de novembro de 1959 , Nº 13 p.3